A dificuldade do Corno Inconformado se conformar que o amor é...
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A Conformidade do Corno Inconformado

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Crônica sobre um corno inconformado, aprendendo como é foda o amor.


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Antes que esqueçam de mim quero contar a história de Agenor. Um velho jornalista apaixonado pelas letras e suas formas. Era apaixonado pela arte, música e pratos finos.

Agenor envelheceu escrevendo e tinha uma peculiaridade em suas manchetes: tudo era possível!

O marido que traía a amante com a mulher que um dia fora sua. A amante descobriu a traição e tacou fogo em tudo. A cidade em polvorosa, os filhos indignados e uma quantia de R$500 mil disputada a tapas.

E teve o padre, que rimou do santo ao profano. Fora descoberto na sacristia da igreja, aos beijos com um pastor evangélico. O amor mantido em sigilo durante muitos anos, tornara-se a notícia do ano quando vizinhos acionaram a polícia após escutarem barulhos minimamente estranhos na sacristia.

Manchetes como essas, eram estampadas somente por Agenor. Ninguém nunca soubera explicar, como suas fontes fidedignas e tão confiáveis, eram capazes de mantê-lo inteiramente informado não importasse a hora e nem o mesmo dia.

Ele era a revista ambulante da pacata São Cristovão.

Um dia, o marido traído de Dagmar Souza Cruz, foi bater à porta de Agenor. Queria mil explicações pela manchete do dia anterior, estampada na capa do Diário de Notícias: “Empresário traído, é ameaçado de morte pelo amante da mulher”.

Foi na baixada santista a confusão em que a polícia descera o cacete em todos, após uma senhora de 70 anos descer rolando morro abaixo. Em meio à confusão, dona Amélia, a mãe do traído, só queria segurar o filho.

Era gato no telhado, cachorro latindo, criança chorando e a mulher do traído, de sutiã e calcinha no meio da rua entre o amante e o marido. Ele pedia para que ela saísse. Ela pedia para que ele saísse e o amante pedia para sair. Tentando a todo custo fugir com as calças arreadas por qualquer beco que fosse após ameaçar de morte o que fora corneado.

A polícia chegou e não teve vez, desceu o cacete em geral. No outro dia, foi certeira a manchete envolvendo o honroso empresário, que além do orgulho ferido tinha a mãe agora entrevada em uma cama de hospital.

Agenor ao ver a fúria do homem em sua porta, tentou contê-lo a todo a custo. Mas foi impossível, o corno inconformado não queria conformar. Era como se não houvesse estribeira para aquele homem.

Com toda fineza que tinha, Agenor o convidou para entrar e sentar-se.

Enfurecido, entrou pisando duro.

-Então, em que posso atender o senhor? – indagou Agenor com toda elegância possível em um pijama listrado.

-Minha foto no jornal, minha família sendo exposta. Minha mulher de calcinha na capa do jornal. Como pode? – falou aos berros.

Cruzando os braços e as pernas, Agenor disparou: – Então é isso? Essa gritaria toda em minha porta é para isso?

-Como assim? Achas certo expor-nos dessa maneira seu Agenor? A cidade inteira só fala nisso.

-Ora meu caro, é preciso que compreenda algo sobre essa traição. A questão não é a manchete de hoje, mas aquela de todas as tardes espalhadas pela cidade cujo o senhor não tem lido.

-Está dizendo que ela me traía todas as tardes seu Agenor?

-Não, estou dizendo apenas que um empresário ser ameaçado por um amante imoral, é diferente de ser corno na capa do jornal.

-Mas ainda continuo corno seu Agenor – indagou já com semblante abatido, ao encarar sobre a mesa o jornal que jogara quando chegou. Com uma mistura de pena e ansiedade pelo seu café, que esfriava em cima da pia, Agenor gentilmente lhe falou:

– O ópio as vezes é o escândalo, meu caro. E por favor não se esqueça, amar é sempre um mistério. O amor é foda demais, porém nem toda foda é amor, se lhe consola.

O homem saiu com a cabeça baixa. Abraçou Agenor ao se despedir. Nunca mais sequer tocou no assunto. Dagmar fugira com o amante e desde então, o traído passara compreender um pouco mais de como é foda o amor.


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Um pedaço inteiro da junção de palavras, versos e rimas. Jornalista, publicitária, amante da comunicação e escritora por paixão.

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